Centenas de turistas buscam delegacias atrás de documentos e cartões roubados durante Revéillon
http://oglobo.globo.com/rio/centenas-de-turistas-buscam-delegacias-atras-de-documentos-cartoes-roubados-durante-virada-11189923
- Muitos reclamaram de arrastões nas areias durante a virada em Copacabana
- Turistas também protestaram contra a falta de estrutura na delegacia para atendimento às vítimas

RIO - Muitos turistas procuraram pelas delegacias do bairro de Copacabana desde o início da madrugada desta quarta-feira para registrar queixa de furto e roubo ou procurar documentos entre os milhares de objetos recuperados nas areias da praia e ruas do bairro. Muitos deles reclamaram de arrastões na praia no momento da virada.
A 12ª DP (Hilário de Gouveia) passou toda a manhã lotada de vítimas que reclamavam não só da falta de segurança na praia, mas também da estrutura policial para atender à demanda. Das oito da manhã desta quarta-feira até as 21h30m, foram 114 registros de furtos. E somente na noite de terça até momentos antes do Réveillon, foram 16 prisões em flagrante por furtos e roubos.
O turista de São Paulo Isac Sousa Gonçalves reclamou ao chegar na delegacia e perceber milhares de documentos, cartões de crédito e de débito, passaportes, identidades, carteiras de habilitação jogadas no chão sem qualquer tipo de controle:
— Qualquer um pode entrar aqui e levar cartões de crédito, documentos e até chaves de carro. Ou seja, as vítimas podem ser novamente roubadas aqui dentro da delegacia — reclamou.
Para tentar organizar o tumulto, Isac foi até um mercado próximo e conseguiu umas caixas de papelão para organizar os pertences. Ele reclamou ainda da falta de policiamento na areia.
— Eu estava com minha mulher e um casal de filhos. Ouvimos três músicas do Lulu Santos e saímos para ver os fogos. Foi quando percebemos que haviam levado tudo, carteiras, celular.
Moradora do interior de São Paulo, a estudante Taís Sobrinho contou que quando foi tirar uma foto da queima de fogos teve o celular arrancado da mão:
— A gente ainda estava pagando as prestações do celular. Pra mim, o Réveillon acabou naquele instante. Agora é só choradeira — contou, acrescentando que estava na fila há cerca de duas horas para registrar queixa.
Mineiros de Juiz de Fora, Fábio Barreto e Fabiana Baldioti contaram que foram vítimas de arrastão:
— Nós estávamos na área do palco principal quando fomos cercados por uns quinze deles. Eles nos tomaram o celular. Era por volta de 22h30m. Ficamos tão chateados que fomos embora sem assistir à queima de fogos. Nunca mais passo Réveillon em Copacabana — reclamou Fabiana.
O turista paulistano Marcos Paulo da Silva reclamou ainda da cerca erguida ao longo do palco do Copacabana Palace que impedia o acesso direto ao calçadão:
— Fui furtado por um bando de pivetes, eles passavam empurrando e metendo a mão no bolso. Um deles, roubou uma carteira de habilitação. Tentei fazer o registro no posto móvel, mas o sistema estava fora do ar. Fui na delegacia de madrugada e estava lotada e agora pela manhã voltei. Quando cheguei estavam todos os documentos jogados no chão e as pessoas procurando por seus pertences. Parecia um monte de porco pegando lavagem. Isto é um desrespeito. A gente paga impostos e merece ser melhor atendido.
Muitos que conseguiram recuperar os documentos desistiram de registrar queixa:
— Só Deus. Recuperei meus documentos e não vou mais registrar — afirmou Eduardo Romano.
Carlos Albertto Soares Lima contou que foi furtado antes mesmo de chegar ao palco em frente ao Copacabana Palace.
— Eu estava com uma bermuda justa, mas nem mesmo assim consegui evitar o furto.
O estudante Rafael Moura contou que foi cercado por um grupo de mais de dez pessoas:
— Eu só notei que era assalto, quando tentei sair e fui empurrado de volta para o meio do grupo e ameaçado. Eles tomaram meu celular. O roubo aconteceu antes da virada. Hoje de manhã vim aqui para registrar, mas a fila dava volta na rua. Eu resolvi então retornar mais tarde, mas pelo visto ainda vou ter que esperar muito — comentou.
Já Franklin Lobato, morador de Copacabana, de 45 anos, teve o seu cordão roubado por duas pessoas. Ele também foi ferido no rosto por um soco, que provocou sangramento no nariz e inchaço no olho.
— Eles já vieram me batendo. Fui reclamar com um grupo de PMs e eles disseram que não poderiam fazer nada — conta.
A Polícia Civil irá divulgar o balanço das ocorrências criminais ocorridas durante a noite de Réveillon nesta quinta-feira. Mas, de acordo com dados preliminares da Polícia Civil, a 12ª Delegacia Policial (Copacabana) realizou 17 flagrantes no primeiro dia do ano, e aqueles que tenham sofrido quaisquer transtornos durante as comemorações e não tenham sido atendidos adequadamente devem entar em contato com a Ouvidoria da Polícia pelo telefone (21) 3399-1199 ou procurar a Delegacia Supervisora, na Rua da Relação 42, Centro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário