domingo, 29 de dezembro de 2013

‘Sou soldado da Record e faço até o Fala que Eu te Escuto’, diz Wagner Montes

'Sou soldado da Record e faço até o Fala que Eu te Escuto', diz Wagner Montes
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WAGNER MONTES é o entrevistado de hoje da coluna. Na conversa, o apresentador da Record se mostra mais comedido nas palavras e diz que o fato de o 'Balanço Geral' sair da programação da tarde e ir para o desaplaudido horário da manhã — onde há metade de televisores ligados, se comparado ao seu antigo vespertino — não foi um problema. Wagner se intitula um soldado da Record e diz que, com contrato até 2017, faz o que a emissora mandar.

"Faço até o 'Fala que eu Te Escuto'. Meu irmão, no horário em que me colocarem, eu vou arrebentar", diz ele, sem falsa modéstia. Wagner fala ainda sobre seu trabalho na Assembleia Legislativa e afirma que, mesmo que seja eleito para o Congresso, não vai deixar de apresentar sua atração. "Eu posso fazer o programa nesse horário, viajo para Brasília e transmito dois dias de lá. Não atrapalha", explica.

Foto: Divulgação

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Você já se arrependeu de alguma coisa que falou no ar?
Que eu me lembre, não. Sou totalmente tranquilo em relação a isso. Eu nunca afirmo que uma pessoa é aquilo ou isso. Sempre uso 'suspeitos' e 'acusados', mudando a entonação nas palavras. Cabe a Justiça julgar, mas, depois que o martelo é batido, o negócio é comigo.

Na sua opinião, quem é grande apresentador de telejornal do Brasil?
Acho o William Bonner muito bom, mas gosto muito do Celso Freitas. O primeiro grande âncora do Brasil, que deve ser respeitado sempre, é Bóris Casoy. Estilo âncora é o Bóris. Como apresentador, mesmo gostando do Bonner, acredito que o Celso tem mais liberdade editorial para falar.

Este ano, a Record não presenteou os funcionários com cesta de Natal, panetone. O que isso significa? Corte de custo?
Não acredito que seja crise, mas não posso responder a coisas administrativas pela Record. Sou só um funcionário contratado da emissora.

A ida de Sabrina Sato vai levar um novo gás para a emissora?
Eu fico muito pouco tempo na emissora para sentir esse clima. Quanto ao público, ainda não deu para sentir, mas Sabrina é uma pessoa querida. Se a Sabrina veio para somar, é maravilhoso. Ela tem um nome nacional.

Vamos falar de pesquisas políticas. Seu nome sempre aparece em primeiro lugar, tanto para governador como para senador. Afinal, ano que vem, o que você vai fazer?
Em 2010, eu tive a maior votação do estado e, consequentemente, do país. Eu vou escutar primeiro o que o povo quer que eu faça. Eu não sou vinculado a nenhum grupo político, sou eu e minha equipe. Vou esperar as pesquisas até março e abril para considerar o desejo do povo. Se for mais para o Senado, vai ser. Se for para o Legislativo, vai ser bom também ter alguém do povo para arregaçar aquilo logo. Seja qual for a decisão, está nas mãos de Deus.

Se você entrar no Senado, sai do 'Balanço Geral'?
Não é a minha intenção sair. A não ser que na época a Record ache que seja importante. Acredito que, para a emissora, não seja legal eu sair, já que estou tendo uma boa audiência. Eu posso fazer o programa nesse horário, viajo para Brasília e transmito dois dias de lá. Não atrapalha.

Para o seu ego, é melhor ser um apresentador bem-sucedido ou um político bem-sucedido?
O importante para mim é fazer o bem. Parece frase feita, mas eu só massageio o meu ego quando consigo fazer o bem para alguém.

Mas o seu grande sonho de vida não era ser político, e, sim, apresentador.
Eu acho que, como apresentador já fiz muito, inclusive programas de âmbito nacional. Me sinto realizado.

Tem vontade de ter um programa nacional?
Não.

Jura?
Juro, na boa. Eu só faria um programa nacional seguindo o estilo do 'Perdidos na Noite' (que era apresentado por Fausto Silva, na década de 80), aí, sim, eu faria. Na televisão, estou mais para me aposentar do que continuar.

Você pensa mesmo em se aposentar?
Penso. Na verdade, eu já tentei parar. Já fiz tudo na TV: fui repórter de rua, apurador, apresentador. O que eu podia dar, eu já dei e estou dando. Minha mulher (Sônia Lima) até fala que, se eu parar, não vou aguentar, e pode até ser que isso aconteça.

Você ganha quantas vezes mais na televisão do que ganha na política?
Ganho muito mais. Faço política por vocação e legislo em prol da população.

Se colocarem você para apresentar o 'Fala Que Eu Te Escuto', na madrugada, você vai bem?
Eu sou um soldado da Record e faço até o 'Fala que eu Te Escuto'. Meu irmão, no horário em que me colocarem, eu vou arrebentar.

Você não acha uma hora de programa pouco, para quem fazia quase três?
Eu fazia duas horas e meia, mas há algum tempo estava pensando em me aposentar. Essas duas horas e meia para mim já eram cansativas, porque eu saía da televisão direto para a Assembleia Legislativa. Agora, acordo às 4h30 da manhã todos os dias e chego às 6h no programa. Quando acaba, eu tomo café com o pessoal da equipe e vou para Assembleia. Chego em casa às 21h. Encaro tudo como um desafio.

A impressão que eu tenho é que colocaram o Neymar para jogar na segunda divisão.
(Risos). Obrigada pela comparação.

Não é isso? Você pegar uma pessoa com salário incrível e colocar num horário que não tem muita concorrência…
Tem. O 'Bom Dia Rio', da Globo, está há muito tempo no ar e também mudou de horário. Enfrento o jornal do SBT, que é muito bom também. A gente consegue uma audiência de manhã muito boa. O número de aparelhos ligados é grande.
E se falarem para você voltar para o 'Balanço Geral' à tarde?
Eu estou muito satisfeito nesse horário. Acredito que não haja motivo para eu voltar, nem está nos meus planos. Lógico, se for uma determinação da Record, eu vou cumprir.

E o Rogério Porcolen?
É meu amigo, assumiu o desafio de apresentar um programa feito por mim há sete anos. Ele já colocou no ritmo dele e com a cara dele. Rogério é um grande apresentador.

Qual é a diferença do seu estilo para o do Marcelo Rezende?
Olha, não tem muita diferença. Quem me acompanha sabe que eu fui o primeiro a colocar humor nas matérias policiais. O Marcelo conta mais a história e eu deixo que o repórter conte o fato e faço o comentário.

O que você acha quando ele chama a atenção dos repórteres ao vivo?
É uma coisa do estilo dele. Marcelo é assim. Eu tenho uma outra linha, mas tenho certeza que ele faz isso como uma sacada de TV, e não para humilhar a pessoa.

Vamos falar agora sobre essa mudança de horário… O que isso mudou na sua vida?
Mudou porque eu tinha uma interatividade muito grande com o público da tarde, mas de certa forma isso permanece nas ruas. O público que vê faz questão de cumprimentar. A mudança no horário não teve problema nenhum para mim.

Wagner, eu entendo o seu discurso, mas você não acha muito político? Você saiu do seu horário e foi para um horário que não é nobre na TV. Você não ficou triste mesmo?
Não. Vou te dizer o motivo. Toda a minha vida profissional, fiquei 17 anos no SBT, nove anos na CNT… Eu sempre me considerei soldado. Eu sou disciplinado. Tenho que cumprir o que a Record manda.

Mas a Record não fez isso porque você não quis mudar de partido?
Isso aí é você que está dizendo. Para mim, foi apenas uma estratégia de programação.

Qual é a estratégia? De manhã, estava perdendo?
De manhã, tinha uma boa audiência, mas eles queriam investir mais na área policial e em prestação de serviço. Eles achavam que eu tinha a cara desse horário.

Qual é o seu balanço nesse ano de 2013?
Foi maravilhoso. Foi um ano em que consegui uma grande audiência. Na vida particular, está tudo indo bem. Eu e a Sônia fizemos 26 anos de casados. Na política, consegui aprovar leis importantes na Assembleia e não tive nenhuma falta. Procuro honrar os votos que ganhei.

Você acha que a Record cobre mais a classe C e D, principalmente os crimes, do que a Globo?
Olha, eu não sei se cobre melhor a classe C e D. Eu te digo isso porque que vou a lugares onde esse público está, e é lógico que eles vão se identificar comigo. Falo pelo meu programa, entende? Mas tudo o que falo é o que vem na minha mente. Eu não sei o que vai ao ar, nunca participei nem participo de reunião de pauta.

Você renovou o contrato recentemente. Nesse período, outra emissora te procurou?
A gente encontra com pessoas de outras emissoras o tempo inteiro. Sempre disse que estava bem na Record. Começamos a negociar em maio, batemos o martelo em julho e assinamos em setembro.

Se você fosse diretor de outra emissora, você colocaria o Wagner Montes nesse horário?
Não (risos). Tudo depende da grade de programação. É complexo.

Hoje em dia, você mede mais as palavras?
Claro. Quando eu sinto, eu digo mesmo, mas já quebrei a cara. Tem gente que vê o autêntico como grosseiro.



Original Article: http://blogs.odia.ig.com.br/leodias/2013/12/28/sou-soldado-da-record-e-faco-ate-o-fala-que-eu-te-escuto-diz-wagner-montes/

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